terça-feira, 4 de junho de 2013

 Krav Magá completa 3 anos em Aracaju

     Em meados de 1940, nasceu o Krav Magá pelas mãos de Imi Lichtenfeld em Israel, pouco antes de sua independência. Tendo como berço os movimentos de resistência de judeus da Europa durante a 2ª Guerra, se desenvolveu e amadureceu em Israel, sendo utilizado pelos grupos de defesa que ali existiam e, com a independência do Estado em 1948, tornou-se a filosofia de defesa adotada pelo Tzahal, serviço militar israelense, polícia e serviço secreto. No início era restrito apenas à elite militar, mas a partir de 1964 foi liberado o ensino aos militares em geral e à população civil dentro do Estado de Israel.
E foi neste momento que seu criador, com a preocupação de dar continuidade à sua obra transmitindo-a para o resto do mundo e para as próximas gerações, selecionou um pequeno grupo que seria treinado e preparado para este fim, do qual o Mestre Kobi é parte integrante. Em 1987, foi liberada a saída do Krav Magá para fora de Israel.
     Em 1990, o primeiro faixa preta saiu de Israel para difundir o Krav Magá: Mestre Kobi chega ao Brasil, como o único representante da arte na América do Sul.
Treinado pelo Mestre Kobi, o instrutor Carlos Gustavo, um de seus melhores discípulos, chegou a Aracaju em março de 2011 com a missão de difundir a prática do Krav Magá em Sergipe. No mesmo mês, Carlos Gustavo formou a sua primeira turma após aula-demonstração realizada na Academia Sport Connection, e desde então vem buscando manter o trabalho de ensinar a filosofia e os conceitos da arte aos seus praticantes.
     Atualmente, as aulas são ministradas na Academia Paulo Bedeu Express, de segunda à quinta, nos horários das 6h as 7h da manhã, e 18:30h as 19:30h, 19:30h as 20:30h e 20:30 as 21:30h da noite.
      A Federação Sul Americana de Krav Magá faz ainda um importante alerta a todos os interessados em praticar a técnica de defesa pessoal israelense: Verifique a formação do Instrutor! Praticantes de artes marciais se intitulam instrutores de Krav Magá após poucas aulas, um perigo para os alunos, uma ameaça para a sociedade. Somente a Federação Sul Americana de Krav Magá forma instrutores capacitados no Brasil, e o faz de forma séria.  Garanta a segurança e a qualidade técnica que você merece, treine somente com instrutores formados pela Federação.  Krav Magá é uma marca registrada e somente pode ser usada sob licença da Federação Sul Americana de Krav Magá com sede no Rio de Janeiro-RJ.

OBS: Para que o trabalho de divulgação desta técnica de defesa pessoal (a única reconhecida oficialmente no mundo) continue, conto com os colegas editores, produtores e radialistas para que abram agenda de entrevistas para o instrutor Carlos Gustavo.

Oswaldo Vilela
Aluno da 1ª turma de Krav Magá em Sergipe
Assessor de Comunicação do Instrutor Carlos Gustavo
DRT - 1554

 Instrutor Carlos Gustavo

 Mestre Imi Lichtenfeld


Mestre Kobi

sexta-feira, 17 de maio de 2013

"PT CONTINUA SENDO PARTIDO QUE COMPREENDE AS CONTRADIÇÕES DO TEMPO"

Professor e militante político +Cássio Murilo Costa faz uma análise sobre os 10 anos de governos do PT no Brasil e ressalta que o país, após este período, "continua combatendo as suas desigualdades raciais e sociais", com diferencial de as ter transformado em política de Estado"; ele critica o projeto de poder da direita: "há muitos problemas para serem resolvidos no país, mas devem ser resolvidos com a sensibilidade e a inteligência do seu povo, assim, sou muito cético em relação a uma alternativa de direita hoje"

 - Texto extraído do jornal digital Sergipe 247 - 

O Alfaiate de Ulm e o Decênio do Governo do PT

Há um poema de Brecht “O alfaiate de Ulm” que se refere a um certo alfaiate do século XVI e à sua ideia obsessiva de voar. Acreditando ter conseguido fabricar o aparelho perfeito subiu no telhado da igreja se projetou sobre o ar e... se espatifou no chão. Reproduzo aqui a ultima estrofe.

“Façam tocar os sinos
Aquilo foi invenção
Voar só para os pássaros
Disse o bispo aos meninos
Os homens nunca voarão”

Encontro neste poema a resposta para um dilema atávico nos debates políticos sobre a sociedade brasileira e as suas desigualdades. Havia um tropismo que afirmava que a concentração de renda, a pobreza e a miséria de milhões de brasileiros pouco provavelmente acabariam entre nós por serem algo que fazia parte de nossa História. Esse discurso foi sempre muito hegemônico entre nós, em síntese, um modo de “naturalização” e legitimação dos nossos males sociais.

Aproveito as comemorações do decênio do Partido dos Trabalhadores no Governo Federal para reiterar como o partido e o bloco histórico de aliados puderam fazer milhões de brasileiros e brasileiras terem capacidade de quebrar um tabu histórico graças a uma lógica de inversão de prioridades das políticas públicas no país.

O PT nasceu sob o signo das lutas democráticas, da mobilização dos trabalhadores e não ficou imune às contradições da sociedade de onde nasceu. Uma vez no Governo o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma cumpriram um programa mínimo e uma agenda estratégica ancorados nos princípios de inclusão pelos direitos e pela renda, daí resultaram: aperfeiçoamento da democracia; politica de valorização do salário mínimo, que no início de 2003 era de 76,92 dólares, (segundo dados do IPEA/IBGE/Banco Central) para pouco mais de 335 dólares em 2013; diminuição da desigualdade social do país com mais de 40 milhões de pessoas saindo da linha de pobreza para a chamada nova classe média, que prefiro chamar, à maneira de alguns sociólogos, de nova classe trabalhadora; reconhecimento das Centrais Sindicais e a transformação de demandas sociais em políticas públicas para os trabalhadores, inclusive criando 19 milhões e 300 mil de empregos, uma situação de quase pleno emprego, devendo-se também levar em consideração que a taxa de desocupação é de 5,7% em março de 2013, de acordo com o IBGE; criação de um mercado interno de massas pulsante, forte e que ajuda a manter nossa economia ainda sólida, não obstante uma crise internacional que dura anos, e do atual perigo inflacionário; acrescido a isso uma política externa soberana que nos catapultou para inclusão no BRICS e nos tornarmos uma das maiores referências como liderança da America Latina.

O Brasil que emerge dos últimos 10 anos é o país que continua combatendo as suas desigualdades raciais e sociais e as transformou em política de Estado, como bem afirmou a presidenta Dilma Rousseff num artigo da Folha de São Paulo de 30 de dezembro de 2012. Nos últimos dois anos, aprofundando as transformações reais pelas quais o Brasil está passando, as políticas públicas de transferência de renda, de educação e saúde têm sido guiadas pela lógica da inclusão de milhões de brasileiros que se encontram em miséria extrema. Esse capítulo deverá ser longo, dadas as barreiras históricas impingidas a pessoas que vivem em bolsões que lembram as condições humanas ainda do século XIX, seja nas grandes aglomerações urbanas ou nos rincões mais longínquos do país.

Essa transformação, essa revolução sem armas criou uma situação inusitada no Brasil, hoje nós temos uma direita apocalíptica que, sem visualizar um projeto que faça o contraponto – as teses neoliberais de estado mínimo e de desregulamentação da economia foram responsáveis pela atual crise mundial e pelos indicadores sociais negativos do Brasil na década passada – passa a trabalhar com a hipótese da crítica moralista, do denuncismo e de um puritanismo de vestal fundamentalista que beira uma linha de raciocínio apoucada. Hoje, como em 2010 a disputa é polarizada, parece não existir espaço para terceira via, qualquer força que surja e proponha uma relativização entre as diferenças programáticas dos dois campos, o progressista e o conservador, cometerá um erro estratégico e tático de fazer o jogo da direita, prática defendida hoje por setores que respondem por uma visão alternativa do campo democrático-popular e por um suposto espólio do PT que fazem uma crítica focada na descaracterização do partido.

A direita não faz exatamente política. Do nosso ângulo pensamos ser ruim a ideia de pensamento único, muito confortável para as ditaduras, portanto, acredito que deveriam se reorganizar e pautar uma agenda estratégica para o país, um aggiornamento sem fazer tábula rasa do ultimo decênio. Há muitos problemas para serem resolvidos no país, mas devem ser resolvidos com a sensibilidade e a inteligência do seu povo, assim, sou muito cético em relação a uma alternativa de direita hoje.

Põe outro lado, o Partido dos Trabalhadores continua sendo um partido que compreende as contradições do seu tempo. E se o que se permite avaliar a história de um partido é o teste do poder, o partido tem desempenhado bem o seu papel. Um papel que resgata o Estado como indutor de políticas públicas e serve como instrumento de transformação e de mudança na vida de milhões de brasileiros e brasileiras.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há futuro no Jornalismo?


Há pouco mais de 10 anos, quando fui fazer a minha primeira prova do vestibular, o tema da redação previa o fim do jornalismo impresso em 20 anos. As “Bestas do Apocalipse” já assombravam naquela época e, lógico, discordei com veemência. Afinal, como poderíamos ser tão altruístas ao afirmar que o Jornal, que hoje folheamos, daqui a vinte anos iria acabar?! E como iam ficar a pintura de nossas casas, carros, sem ter os jornais? Isso seria um ultraje.
Brincadeiras à parte, não disse isso em minha redação. Mas toquei no ponto sobre evolução tecnológica e o comportamento humano com o passar do tempo. Na época, não conseguia conceber como uma instituição de mais de 300 anos iria sucumbir com o aprimoramento tecnológico em 20 anos.
Apesar de entusiasta tecnológico, ainda tenho um prazer guardado no passado em que, ler cartas sempre recorre a um tempo distante, mas, muito precioso. Se adaptarmos as nossas necessidades pelo constrangimento do tempo, não é porque achamos menos prazer em ler um jornal em nosso momento de descanso ou ler uma carta. Aliás, você sabe quando foi à última que você recebeu, sem que fosse a fatura de seu cartão de crédito?
Voltando ao Jornalismo de hoje em que, discutimos se um jornalista precisa agir como jornalista e um publicitário como tal, um RP da mesma forma, questionamos mais uma vez as regras de mercado e a necessidade do profissional multitarefa. Professores e estudiosos sobre o tema, como o espanhol Ramón Salaverria, já se estenderam demais ao falar que a convergência, como processo dentro das instituições jornalísticas, visam transformar o profissional numa máquina de mil braços com inúmeras funções e com o salário reduzido.
Como profissional, não concordo com as regras de mercado, mas infelizmente elas se fazem presentes: ou nos adaptamos ou somos realocados para o grupo dos desempregados. As multiplicidades de opiniões que surgiram com o surgimento das redes sociais digitais e a apologia do consumo  com  as novas tecnologias de difusão e distribuição de conteúdo mostram  que o futuro guarda mudanças mais profundas ao jornalismo, mas nem mesmo elas são precisas quando se aponta uma tendência ao Jornalismo do futuro.
Em 2011, vimos a Newsweek (uma das publicações mais tradicionais do mundo, deixar de circular em meio impresso e só se restringir ao Online). Em contrapartida, o The Daily, que apostou na era da comercialização digital da informação através do iPad, vai encerrar as atividades no início de 2013 por não apresentar o resultado além do esperado. 
Se não chegamos a um consenso sobre como se dará o consumo da informação no futuro, como poderemos ser pretensiosos o bastante para afirmar que o jornalismo impresso acabaria dentro de alguns anos?! Vou mais além: existe quem aponte de que forma sobreviverá o jornalismo que conhecemos, no futuro. 
Uma coisa para mim é certa: continuaremos lendo confortavelmente as revistas e os folhetins impressos por muitos anos. Continuaremos ludibriados pelas editorias inescrupulosas de seus jornais. Continuaremos tendo nossas opiniões mediadas pelos jornais e isso, não mudará nem nesta, nem na próxima década.

Rafael Gomes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

SIGAM-ME OS BONS!









Essa máxima criada por Roberto Bolanos (Chaves) para o tão famoso herói atrapalhado Chapolin, onde quase sempre depois de dizer essa frase o mesmo ia encarar algo amedrontador sozinho. Isso também relembra a sina do poeta Virgílio que com uma lanterna na mão se viu condenado a vagar pela eternidade procurando um homem realmente honesto!
Foram desses dois exemplos que eu lembrei quando ao assistir um programa onde se usa dinheiro de patrocinadores e doações de empresas que querem fazer propaganda, onde se busca expor a vida do "ajudado" a fim de conseguir audiência e também tornar visível o nome de algumas pessoas, o apresentador do "Tolerância Zero", se chamou de bom e que seria uma das poucas pessoas boas do estado de Sergipe e que o povo sabia disso.
Ora, citando um dos poucos homens realmente bons que já existiu chamado de JESUS - " Quando fizeres caridades não deixe que sua mão esquerda saiba do que faz a direita!" ou ainda "l Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens." (Mateus 6).
Essa "bondade midiática" está longe de ser sinônimo de bondade moral e de caridade, apenas faz parte do trabalho é algo tão pensado quando qualquer outro comercial. Apenas pelo poder do Marketing programas que expõem de forma tão humilhante pessoas conseguem gerar para os seus apresentadores a alcunha de "BOM". A fraqueza do povo diante da mídia não é algo novo, contudo como sempre vem sendo combatida pela mídia de informação, como pretende ser o nosso portal. 
Vejam que não é coincidência esses "BONS" se lançarem candidatos, gente que faz programa de medicina, gente que faz programa de direito do consumidor, gente que faz programa de entretenimento onde essa relação é disfarçada de algo profissional e muito bem remunerado para como se fosse algo voluntário. Envergonhando gente como eu que realmente pratica trabalhos voluntários. E mais comumente ainda esses bons não executam nenhum outro trabalho de caridade a não ser aqueles para os quais são muito BEM PAGOS para apresentarem.







Em suma, as pessoas boas de verdade raramente se expõem toda semana ou diariamente na mídia, eles estão fazendo seu trabalho sem esperar reconhecimento, sem esperar patrocínio ou sem esperar uma gorda remuneração no fim do mês, fazem seu trabalho pelo simples fato de se sentirem bem.





Kineko Manoel Natagawa







domingo, 18 de novembro de 2012

Chinaglia, Goldberg e o pós-eleição 2012: 2014 já começou.






“O PT foi o partido mais vitorioso porque nós fomos o mais votado no primeiro turno. O PT é o Partido que governará através dos municípios a maior quantidade de brasileiros a partir de janeiro”, por Arlindo Chinaglia, em http://ht.ly/eZ2Gy

“O crescimento modesto do PT, mesmo contando São Paulo, onde usaram durante a campanha antigos costumes da política brasileira, como o loteamento de cargos federais (Maluf e Marta Suplicy), tornou mais distante o sonho lulopetista.” por Alberto Goldman, em http://goo.gl/aOpuU



Duas declarações, apontando vitórias de peso, para partidos em situações opostas. Ambos estão certos, apesar de parecer contraditório: o PT teve mesmo crescimento nas prefeituras e no número de vereadores. Em alguns lugares, quebrou verdadeiros processos hegemônicos.
Mas o crescimento do seu oposto, o PSDB, barrou parcialmente os avanços petistas em redutos importantes. Além disso, se contabilizadas somente as cidades com mais de 200 mil habitantes, o PT perdeu algum espaço. E isso sem considerar os avanços do PSB e algumas rupturas de alianças nacionais, no âmbito local, como no caso do próprio PSB em Fortaleza, que segue aliado nacionalmente, mas rompe no âmbito local.
Contudo, o desempenho do PT em tradicionais redutos tucanos pelo estado de São Paulo, deu um fôlego extra, mesmo em casos onde não houve vitória. O partido passou a marcar posição e agora, prepara o terreno para governar o estado paulista. O próprio Chinaglia, na entrevista onde foi pinçada a fala do topo do texto, afirma isso: o partido vem fortalecido para uma disputa ao Palácio dos Bandeirantes.
Goldberg, porém, também tem o que comemorar. O segundo turno foi generoso para o PSDB e para seus aliados, dando a um deles (PPS) a cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, além das vitórias do DEM, em Aracaju e Salvador. De certa forma, o PSDB evita um processo de enterro da oposição, mas terá de seguir a orientação de FHC e renovar o partido, gerando militância ativa, de rua. Tal processo deve ser definido em breve, já que Sérgio Guerra encontra-se debilitado. Segundo o blog do Josias de Souza (http://goo.gl/kopgA) , o PSDB tem se preocupado com o estado de saúde de Guerra, a ponto de tentar acelerar o processo de renovação. O próprio Goldman não parece estar disposto a continuar conduzindo a legenda até maio de 2013, data das eleições internas. Mas, aparentemente, não parece haver nomes fortes para promover a renovação da sigla partidária, como anseia FHC.
O PT, por sua vez, será conduzido a uma reformulação da sigla, após a condenação de importantes figuras de sua estrutura no julgamento do Mensalão, pelo STF. E as mudanças começam a acontecer, com plenárias, discussões e debates internos pelo país. Com as alterações definidas no quadro geral de prefeituras, o partido deve sofrer mudanças internas em 2013, visando ampliar os quadros nos planos federal e estaduais em 2014.
Em suma, não importa se é tucano ou petista, vem reforma por aí.


George Lemos


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O incentivo à educação X A má vontade do Brasileiro







Resolvi começar a minha introdução no blog com um tema que acho pertinente a todos nós, independente de visão político-partidária ou com maior ou menor grau de instrução. É fato, o Brasil nos últimos anos vem estimulando de forma até bem positiva a oferta de cursos para a grande maioria dos Brasileiros e aos poucos estamos colhendo resultados dessa iniciativa.
Segundo dados recentemente divulgados, o investimento em educação pulou de 10% para quase 17%, nos últimos 10 anos: um dado positivo, mas ainda aquém de diversas outras nações. Porém, ainda que não o ideal o investimento não venha sendo deixado de lado ainda que diversas outras políticas públicas não melhorem significativamente a educação em si.
Problemas como os do encontrado com o REUNI evidenciam que o projeto de expansão como um acordo hierárquico entre as instituições públicas que aceitassem receberiam investimentos e se não aceitassem poderiam ser punidas, pôs em cartaz o aparente limbo que existe entre o projeto educacional maniqueísta pensado pelos governantes e a realidade da pesquisa no país por dentro das instituições federais de ensino, onde o sucateamento e a expansão são realidades por vezes recorrentes em boa parte das universidades país afora.
Mas será que o problema da educação realmente está na forma como o governo assume as políticas públicas na área da educação? A meu ver, não isento de responsabilidade o governo, mas com certeza falta compromisso do povo Brasileiro em arregaçar as mangas e ir atrás de opções que possam melhorar o seu desempenho e projetar empregos melhores no futuro. Não é de hoje que vemos empresas que investem pesado na capacitação de seus funcionários e programas de aprendizagem em diversas instituições, mas, com tudo isso, mesmo estes funcionários gozam dessa possibilidade? 
Em conversa com um amigo meu, daí de Sergipe, na empresa em que trabalho, disponibiliza educação para os quase 100 funcionários para as obras da construtora. Mas dos quase 80 que se inscreveram no inicio do ano, hoje restam menos de 30. O que é pior foram deixando o curso por aparente comodismo.
Essa é uma realidade não isolada no Nordeste, encontramos exemplo disto no país inteiro, hoje, mesmo aqui no RS onde resido há quase um ano, encontramos diversas pessoas que por mais que haja oportunidade não aproveitam. Mais recentemente, estou eu mesmo fazendo um curso de design gráfico oferecido em uma parceria entre a prefeitura municipal e o SENAC a fim de capacitação profissional. Detalhe? Fui pesquisar o mesmo curso em Aracaju e para ter o mesmo número de hora/aula que estou tendo eu teria que desembolsar mais de R$ 1300 reais (mesmo no SENAC local).
Pois bem, esse curso que faço é gratuito. Estudo numa sala com computadores modernos, numa sala confortável com ar-condicionado e conforto, com toda a infraestrutura necessária para possibilitar o aprendizado. Além de ter me inscrito no programa da prefeitura conto também com auxílios como vale transporte (para os que mora longe da escola e ainda auxílio alimentação) Ou seja, além de não pagar, sou pago para comparecer as aulas.
Mesmo assim, o número de inscritos no curso é baixo e a procura bem reduzida. Isso acaba me frustrando como Brasileiro, pois, é muito complicado ver oportunidades como esta mesmo em que você pode ganhar conhecimento e iniciar uma carreira profissional ganhando bem mais que um salário mínimo em que muitos diplomados atualmente ganham.
Infelizmente, começo mesmo a achar que o problema maior da educação no Brasil é o Brasileiro.



Rafael Gomes

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Tempo, convicções e ações. Contradições vistas (e revistas) nas eleições 2012.

     Aguardei alguns dias antes de produzir a minha análise acerca do pleito eleitoral que acabamos de vivenciar. Queria estar mais à vontade, e passado o calor do momento, me sinto mais seguro para desenvolver uma análise racional (e não emotiva) de alguns fatores interessantes que observei durante os últimos meses. Antes de qualquer coisa, explico e explicito que aqui exponho a minha opinião individual, fruto de minhas avaliações e observações. Fiquem à vontade para concordar ou não.
    O primeiro ponto sob o qual concentrei minha atenção foi na linguagem de comunicação utilizada pelas campanhas majoritárias. Como bem observou George Lemos, em seu artigo “Cresceu, mas não levou.”, publicado em nosso blog, o candidato do bloco situacionista não conseguiu desenvolver uma conexão sólida com o eleitor. A campanha mostrou-se morna, não empolgou, não demonstrou uma seqüência lógica compreensível na construção do seu discurso. Assistam aos programas de TV em sequência e penso que entenderão do que falo. O principal candidato de oposição, e vitorioso ao final do certame, apresentou um programa bem mais simples e mais bem padronizado graficamente, com uma linguagem mais leve e dinâmica, contudo, assim como todos os outros, foi de uma densidade político ideológica muito baixa, e os argumentos em geral foram sempre frágeis e superficiais, repito, em todas as candidaturas majoritárias.
Dos demais candidatos de oposição, destaque para a melhoria significativa da produção do programa de TV da Frente de Esquerda. Conseguiu criar uma boa expectativa, mas que caiu por terra com o fraco desempenho de sua candidata no principal debate na televisão aberta. A candidatura do Partido Verde mostrou-se sem força, sem graça, e sem conteúdo. Pareceu prenunciar a morte eleitoral de um partido que, nacionalmente, parecia enfim impulsionado pelo resultado obtido em 2010.
    Situação semelhante viveu a candidatura do PPS. Isolado no campo de alianças e solitário internamente, usou de maneira completamente equivocada a liberdade de discurso que possuía. Criticou a ausência de debate e não promoveu o debate (o partido tinha essa responsabilidade, muito mais que o candidato); criticou a ausência de propostas e não apresentou as suas propostas; questionou o passado político dos demais concorrentes e esqueceu-se do seu próprio passado. O resultado de tamanha incoerência política e de comunicação? Rejeição esmagadora e quase que absoluta do eleitorado, que, percebida, culminou na desistência pública (e ao vivo) do candidato. E este ato de renúncia ainda deverá ser observado com atenção, pois pode ter levado o político em questão para uma faixa perigosíssima – e talvez irreversível – onde ficam os políticos folclóricos e sem credibilidade.
    Porém, talvez a grande contribuição da campanha do candidato do PPS tenha sido a correção (a bem da verdade pontual) de alguns conteúdos apresentados, o que me leva a avaliar que o erro foi de forma e de método, principalmente.
    Feita esta breve análise da comunicação das campanhas majoritárias, atenuo o pouco sucesso a um fato, digamos, pitoresco desta eleição: a ausência de debate em torno de um tema central, principal, o “grande tema”, como tecnicamente costuma-se chamar. Particularmente, apostei a um ano que o debate principal dar-se-ia em torno da mobilidade urbana, mas, definitivamente, o que vi foi um debate "do trenzinho versus o ônibus sanfona". Passou-se ao largo de um debate apropriado da questão. Falou-se o óbvio geral do tema e não se apresentou, de nenhuma parte, propostas concretas.
     Mas teria sido este o principal problema, ou a principal observação a ser feita no momento de avaliar o humor do eleitorado, para a construção dos discursos? Penso que não. Ao analisar o humor do eleitorado aracajuano era latente – e por isso mesmo de fácil percepção – que, por melhor que tivesse sido construído o discurso do candidato da situação ou das oposições, o eleitor tinha claro, para si, o cumprimento de um recado dado em 2010: o de que não estava satisfeito com a condução dos governos estadual e municipal, e coube nesta eleição ratificar este sentimento. É importante observar também que este recado teve endereço e nome, e que por mais que se tentassem criar vacinas de comunicação, era previsível que não surtiriam o efeito necessário. Aponto como atenuante do insucesso das estratégias de comunicação, principalmente da candidatura de situação, o fato de que o processo de reversão da rejeição apresentada desde 2010 dependia decisivamente de ações conjunturais na esfera política, e na mudança da linguagem e da forma da comunicação governamental. Se este trabalho tivesse sido feito a tempo, os resultados poderiam ter sido bem mais satisfatórios.
     Superada a primeira parte de minha análise, passemos adiante. Enxerguei nestas eleições que, observadas o máximo de candidaturas que consegui acompanhar, grosso modo, esta foi a campanha mais profissionalizada dos últimos tempos, e em todos os sentidos. Havia mais interesses e lideranças ávidas pela sobrevivência política do que pudessem suportar as vinte e quatro vagas em disputa. E só que luta ou já lutou pela própria sobrevivência é capaz de dimensionar o que digo.
    Isto posto, o planejamento antecipado, a construção com foco, o discurso bem elaborado, conciso, coerente, e com conteúdo de fácil assimilação fez (e faz), sim, a diferença para muitos dos candidatos eleitos. Infelizmente a desculpa de que custa caro investir numa boa equipe de comunicação profissionalizada foi novamente usada por grande parte dos candidatos (derrotados) – e em grossa maioria os ligados a partidos de esquerda – o que afirmo, é um mito.
    Se há planejamento antecipado, há previsão de custos, e o investimento em comunicação é diluído ao longo dos quatro anos. Sim! Quatro anos! Ou será que ainda há quem pense que se constrói uma candidatura da noite para o dia? Existem fases, etapas e avaliações a serem respeitadas, num processo normal e profissional de construção, a não ser que o pretenso candidato tenha aporte financeiro e político tão seguro que lhe seja permitido entrar na disputa mais proximamente ao pleito. Planejar é preciso, negociar é fundamental, e profissionalizar é decisivo!
    E é aqui que a visão técnica da construção de uma campanha bate de frente com a visão – que se confunde com convicção – política do candidato. Poucos aceitam a orientação técnica, principalmente no que se refere a Comunicação, quando pior, vêem-se capazes de desempenhar/acumular a função, confundindo impressões e opiniões com saberes.
    Outro erro clássico acentuado na última eleição foi o de leitura e análise de conjuntura. Ao não definir claramente, para si e para a sua equipe de campanha seu mote, posicionamento e perfil, muitos candidatos permaneceram no que podemos chamar de “zona da pasmaceira”, explicando, não desenvolveram ou apresentaram qualquer característica que os destacasse dos demais. É conseqüência do erro de leitura e análise a escolha equivocada de estratégia, que pode ser acentuada se não houver um planejamento prévio. Há de se observar – e aconselhar – que a leitura e análise devem ser feitas de maneira plural. É extremamente perigoso quando o candidato depende de uma leitura única, por mais embasada que seja.
     Por fim, vou um pouco além do que disse Cláudio Nunes em seu artigo “Aracaju: fecha-se um ciclo político”, publicado em seu blog na Infonet em 08/10/2012: Esta eleição não representa apenas o fim da permanência de um bloco à frente da PMA. Representa também o fim de uma geração de políticos que, ao não perceberem a evolução e profissionalização na construção dos processos e dos discursos eleitorais, foi esquecido pelo eleitor e perdeu seu valor político. Não se pode confundir convicção com teimosia. A história é implacável em sua narrativa, e o tempo cruel em seu processo de seleção.

Por Oswaldo Vilela

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cresceu, mas não venceu.

   Não adiantou Almeida desistir, Vera derrapar e João deixar de subir nas pesquisas: Valadares Filho não foi suficiente para garantir a sequência do grupo que governa Aracaju. E tudo pode ser explicado em uma ou umas laudas, de forma levemente esmiuçada.
    Comecemos pelo aspecto visual: a campanha do jovem Valadares é composta por cores quentes e tipografia pesada, além de um BG animado. Tudo isso contrasta com a voz mansa e o aspecto pueril do candidato, ao se apresentar no vídeo. Se a ideia era fazer o contraste, não deu certo, como os resultados das  urnas puderam mostrar.
   Além de encarar um adversário experiente, Valadares Filho e seu grupo tiveram pela frente um “feijão com arroz bem feito”, com a campanha de João Alves Filho errando pouco e fazendo bem o essencial.
  No vídeo da campanha de oposição, dois apresentadores com rostos localmente reconhecidos e jovens, contrastavam com o time de apresentadores do candidato do PSB, onde a aposta foi realizada sobre um trio sem identificação com o público local e de sotaque padronizado.
   O aracajuano, já desconfiado com o candidato escolhido pela situação e com o histórico recente de votação, resolveu manter a aposta de 2010 e levar João Alves Filho ao seu segundo (e talvez, último) mandato como prefeito de Aracaju.
   Tanto na hipótese de vingança contra o atual governador, quanto na hipótese do baixo potencial de votos próprios do candidato escolhido, é necessário se fazer notar que a estratégia de comunicação escolhida não foi capaz de reverter o cenário apontado desde o início, pelas pesquisas.
   Não custa lembrar: nas últimas pesquisas antes das inserções de rádio e TV, a candidata do PSTU estava a frente do candidato governista. Faltou fôlego, faltou interação ou faltou candidato? Com a palavra, o leitor.
 
Por George Lemos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Produzir. Consolidar. Avançar.

"A dualidade entre fatos e decisões leva à validação do conhecimento fundado nas ciências da natureza e desta forma elimina-se a práxis vital do âmbito destas ciências. A divisão positivista entre valores e fatos, longe de indicar uma solução, define um problema.”
Jürgen Habermas

     Em meados do século XIX, o mundo vivia a experiência do fato de que as potências européias começavam a reestruturar a sistemática metodológica de sua dominação perante os povos africanos. Deixava-se de lado a dominação pela força e poderio militar e dava-se início ao processo de dominação econômica e intelectual sobre estes povos. 
   Este processo de dominação confirmou-se ao passar do tempo muito mais cruel e insensível, consolidando de maneira vil e maniqueísta o processo de evolução formativa de um dos centros de cultura mais importantes do globo, a África. 
     Sendo assim, fez-se mister o surgimentos de focos de resistência em todo o globo. Resistência não somente ao exercício da dominação imposta pelos tentáculos suaves e sedutores da globalização, mas ao sério risco de extinção em cadeia de vários e importantes núcleos geradores de cultura. Um risco e um grave problema para todo ator/militante cultural. 
     Acompanhando este processo muito de perto, e muitas vezes sendo dele protagonista, os Estados Unidos transformaram-se no maior desenvolvedor do processo de dominação econômico-intelectual. Sua capacidade de entender e buscar alternativas para reorganizar e retroalimentar essa dominação foi um dos pilares que tornaram a América o senhor do mundo, e por que não dizer, o senhor da guerra. 
     E decorrente deste contexto está o processo que, neste momento, nos interessa analisar, a forma e a práxis dos governos petistas em desenvolver as políticas públicas produzidas por seus setoriais contra o exercício da dominação cultural por parte da elite dominante. 
     A massificação do comportamento cultural baseado no “hambúrguer com coca-cola e calça jeans” destruiu por completo histórias culturais inteiras, aniquilou processos de identidade sócio-cultural há muito sedimentados, e substituiu ícones sociais históricos pelas bandeiras do Mc Donald’s e da Nike. E não parou nisto. O processo evolutivo do exercício da dominação cultural seguiu par e passo o desenvolvimento tecnológico e afetou intimamente os corações e mentes em todo o mundo. A massificação do acesso a internet provou ser a nova revolução industrial. Uma forma rápida e eficaz de ampliar – sem precedentes, nem dimensões – o leque de cidadãos atingidos pela febre do acesso a informação. E então chegamos, por conseqüência, as redes sociais. 
     E como fica a cultura neste processo? Fica, assim como a política, esperando entrar na pauta de debates do quotidiano. Mais uma vez, nos vemos diante de uma forma dominatória inteligente, renovada, revigorada, e ciente da sua capacidade de reprodução. É preciso reconhecer a força do adversário contra os quais lutamos e jamais perder o foco do que deve ser a batalha por uma Cultura inclusiva, educativa, producente, e de massas. 
  A cultura deve ser entendida como o mecanismo transformador e impulsionador do desenvolvimento intelectual de uma sociedade, aliada a educação basilar, a cultura sedimenta no indivíduo os valores morais e sociais que definem o comportamento da sociedade, molda a ação das instituições de Estado e principalmente, permeia o desenvolvimento da identidade cultural de um povo.  
     Cultura não pode jamais servir de objeto de barganha ou moeda de troca em processos políticos, muito menos servir de bandeira efêmera de uma globalização capitalista desenfreada e cruel. As bases do socialismo real também são construídas via cultura, e quebrar a dominação imposta pelas potências européias, submissas do império americano é, sim, fazer brotar novamente nas sociedades, em todos os seus níveis, processos de desenvolvimento da consciência crítica e retomada da construção coletiva de nossa identidade cultural. 
     Desta forma, o Partido dos Trabalhadores tem de fazer valer o seu compromisso histórico com a reorganização da Cultura Brasileira. Capitanear nos locais onde possui o comando dos governos estaduais e municipais as sistemáticas de desenvolvimento do saber e do conhecer cultural. Colocar em prática as idéias formuladas ao longo de anos de debate e vivência partidária e de diálogo com a sociedade civil, organizada e não-organizada. Nesse momento em que a cultura popular encontra uma ambiente extremamente favorável para o seu desenvolvimento, é muito importante que o Partido dos Trabalhadores tome as rédeas do processo, a não simplesmente conforme-se em acompanhar de perto as decisões tomadas. 
     Mas este trabalho não pode e nem deve ser desenvolvido de maneira restrita. A pluralidade de grupos presentes no processo de desenvolvimento das políticas públicas é fundamental para que se cumpra o papel democrático de ocupação dos espaços. A militância cultural petista, que sempre esteve presente nos grandes debates, precisa estar presente nas estruturas de governo, sob pena de não criarmos a forma e darmos a cara petista na gestão da cultura. Outro ponto fundamental na consolidação da aplicabilidade das políticas públicas que sempre defendemos está no reforço da manutenção ou mesmo surgimento dos conselhos municipais de cultura. São os conselhos que farão o trabalho de oferecer o contraponto necessário para que o debate macro seja sempre realizado da maneira mais democrática possível. 
     É imprescindível que façamos a leitura do desenvolvimento histórico da cultura no ambiente capitalista, principalmente em países em desenvolvimento, absortos numa época em que as artes vivem seu processo de reprodutibilidade técnica. 
Por este motivo, é preciso assumir o apanhado histórico no mundo da cultura, e o seu acúmulo de lutas por parte do PT. Não se podendo deixar que este acúmulo seja usado (e muitas vezes distorcido) de forma puramente eleitoral.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Água e cidadania


Para reflexão, o blog publica hoje o texto da amiga Linei Pereira, estudante do curso de Geografia da UFS. Leiam, Discordem. Comentem!

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março de cada ano é destinado à discussão sobre os diversos temas relacionados a este importante bem natural. O objetivo desta data deve estar voltado à reflexão, análise e conscientização no dia-a-dia para o USO CIDADÃO dessa fonte milagrosa.
Segundo a Declaração Universal dos Direitos da Água, a água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. Dado o exposto, podemos notar que há uma forte relação entre os temas “água” e “cidadania”.
No Brasil, ainda existem pessoas que não possuem acesso a água potável. O Brasil possui cerca de 15% dos recursos hídricos disponíveis no mundo, entretanto, o volume de água disponível para consumo humano é de cerca de 3%, o que torna ainda mais essencial a necessidade de uma gestão eficiente dos recursos hídricos.
O grande vilão destes tempos é o desperdício. Metade da água distribuída no mundo inteiro é desperdiçada. Para que seja produzido um quilo de carne bovina, são gastos 15 mil litros de água; para um quilo de vegetais, mil e 300 litros. Um ovo nos custaria mais de mil litros; ressalta o teólogo, filósofo e ecologista Leonardo Boff. O maior desperdício vem da má utilização, distribuição irregular e poluição. A destruição da cobertura vegetal altera radicalmente a distribuição dos reservatórios. A falta das matas ciliares permite que as águas escorram em velocidade inconveniente para os cursos principais, provocando assoreamentos e não raramente enchentes no período de chuvas e escassez no período de secas.
Acabamos por esquecer que a vida só se tornou perceptível após o aparecimento da água no planeta. A água sempre esteve acoplada ao desenvolvimento das civilizações. A título de ilustração, podemos observar a história da capital do nosso estado, Aracaju, que até então era chamada de “Povoado de Santo Antonio do Aracaju”. Este povoado foi elevado à categoria de cidade e recebeu o título de capital da Província de Sergipe Del Rey, graças a sua localização praiana, perto da Foz do Rio Sergipe.
Sem água de boa qualidade não existe futuro para os núcleos sociais, sejam eles rurais ou urbanos. Não é possível argumentar sobre qualidade de vida quando os recursos hídricos estão comprometidos. Se quisermos projetar um futuro melhor para essa e para as próximas gerações, precisamos necessariamente priorizar o tema “água” — no contexto social, econômico e político.
O Rio São Francisco, tão grande e imponente em tempos passados, pede socorro pelo descaso e maus tratos sofridos, pela degradação humana, não podemos nos calar e esperar que essa nossa riqueza natural vire apenas mais uma parte da nossa história, precisamos conscientizar as gerações quanto a necessidade de preservação, fazendo com que possamos ver esse nosso formoso rio cada dia mais forte e volte a ser a fonte de renda que todos os sergipanos, principalmente os ribeirinhos tanto precisam.
Sendo a água um elemento fundamental para a sustentação da qualidade de vida, seja numa pequena comunidade ou numa metrópole, e considerando que o ser humano é o principal responsável pela degradação dos recursos hídricos do planeta. Saber cuidar da nossa água é uma atitude cidadã. É essencial que saibamos CONSTRUIR JUNTOS uma consciência de valorização deste bem tão precioso: a “água nossa de cada dia”.

Linei Pereira
Estudante de Geografia pela Universidade Federal de Sergipe
Maruim - Sergipe

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Juventude, Geração Y e a construção de um novo ser social


Ao pesquisar sobre um significado, ou mesmo referência do que seja a geração Y, encontrei no sintético texto da Wikipédia o conteúdo necessário para produzir a minha reflexão acerca do tema deste artigo, e, antes de discorrer sobre este, reproduzo aqui o referido texto*:

“A geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da Internet, é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, à corte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela geração Z.
Essa geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Os pais, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-nos de presentes, atenções e atividades, fomentando a autoestima de seus filhos. Eles cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas múltiplas. Acostumados a conseguirem o que querem, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo. Uma de suas características atuais é a utilização de aparelhos de telefonia celular para muitas outras finalidades além de apenas fazer e receber ligações como é característico das gerações anteriores.
Enquanto grupo crescente, tem se tornado o público-alvo das ofertas de novos serviços e na difusão de novas tecnologias. As empresas desses segmentos visam a atender essa nova geração de consumidores, que constitui um público exigente e ávido por inovações. Preocupados com o meio ambiente e as causas sociais, têm um ponto de vista diferente das gerações anteriores, que viveram épocas de guerras e desemprego. Com o mundo praticamente estável e mais favorável à liberdade de expressão, esses jovens conseguiram se preocupar com valores antes menos prioritários como vida pessoal, bem-estar e enriquecimento pessoal.” - Wikipedia

Os jovens da geração que ficou conhecida como “os filhos da ditadura” sofrearam, foram às ruas, lutaram. Tinham claras perante o conjunto da sociedade as suas bandeiras, que eram a democracia, a liberdade de expressão e a garantia dos direitos civis. Esta geração que viu muitos de seus companheiros e convivas tombarem, sucumbirem à implacável repressão militar, fruto da estreiteza de pensamento e da radicalização das ações, e, ainda assim, foi capaz de lutar contra todo tipo de intolerância. Hoje, como resultado justo e merecido das lutas e do longo caminho percorrido com suor e sangue, esta geração disputou democraticamente através dos processos eleitorais a conquista de espaços e governos, e hoje ocupa os espaços de poder, construindo, na política, tudo aquilo pelo qual lutaram em sua mocidade.
Decerto a juventude de hoje encontrou um caminho já devidamente alargado, calçado, frondoso. Não há disputas de sangue, nem perseguição ditatorial. A censura, por vezes, fica a cargo dos limites da própria consciência e da capacidade de absorver e manter os valores morais. As conseqüências – não tão boas, a bem da verdade – deste caminho já sem tão duros obstáculos, dentre outros, é que não há uma bandeira clara na luta juvenil contemporânea, e se há, não está sendo comunicada devidamente ao conjunto da sociedade. Falta-nos ocupar devidamente as agendas e os debates nos veículos de comunicação, investir mais nas mídias sociais e proporcionar oportunidades de debates mais amplos, participar melhor e mais qualificadamente da produção cultural que é destinada à nossa juventude, pois é esse conteúdo que influencia e questionam valores, dita modas e aponta caminhos, pois poucos são aqueles que ocupam espaço na agenda de debates proposta pela mídia e pela própria coletividade. E ressalve-se ainda que não é boa idéia aguardar apenas pelos debates propostos pela mídia, pois estes são poucos e algumas vezes direcionados. Há que se propor uma agenda própria e consistente de debates.
Muitos ocupam espaços de governo e em mandatos, emanados da liderança adquirida ou conquistada legitimamente em grupos representativos, porém segmentados, e aprenderam a desenvolver o processo de construção política tendo o suporte da estrutura disponível, o que por si já deve ser encarada como outra fragilidade a ser corrigida.
Será esse o correto aprendizado? E o debate na política a ser realizado com o conjunto da sociedade, não em nome de governos ou mandatos, mas em nome da própria juventude? Dialogar sobre juventude para além da juventude. Agir de maneira convincente, apresentar-se da maneira correta, saber posicionar-se entre os contemporâneos sem parecer afoito ou disposto a queimar etapas. Construir sem amarras ou relações de dependência.
Enfim, estará disposta esta juventude a fazer este debate, ou mais além, fazer o debate e mostrar-se capaz de construir, como diz o ditado, “com a sola do sapato e a saliva da boca”? Eis o desfio da conquista do respeito e do espaço pela vivência e pela prova concreta de capacidade, assim como os que hoje estão no poder o fizeram um dia.

(*) Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gera%C3%A7%C3%A3o_Y

domingo, 12 de dezembro de 2010

Wikileaks, a novela diplomática do ano* (por Renaud Lambert e Philippe Rivière)


O jornalista australiano Julian Assange, responsável pelo site Wikileaks, não para de divulgar informações, antes confidenciais, sobre guerras, bancos, governos e relações diplomáticas. E ele promete, muito ainda está por vir.
por Renaud Lambert e Philippe Rivière

Ao anunciar, em 28 de novembro, que divulgaria 251.287 telegramas diplomáticos internos do departamento de Estado americano, o site Wikileaks deixou as chancelarias em alvoroço. Nos Estados Unidos, a secretária de Estado, Hillary Clinton, insurgiu-se contra o que chamou de “ataque aos interesses diplomáticos estadunidenses e da comunidade internacional”. Ainda que não se possa encontrar nesses documentos “a” verdade absoluta, o site desvenda, em primeira mão, uma versão “bruta” da percepção de mundo dos diplomatas estadunidenses, que também transparece na transcrição de suas conversas com seus aliados e outros líderes.
Vimos, durante a conferência de Copenhague sobre o clima, como um hacker conseguiu espalhar, em praça pública, todas as comunicações particulares dos pesquisadores implicados no estudo das mudanças climáticas, provocando reações fulminantes.  Nesse caso, não houve revelações, mas a divulgação de e-mails que desestabilizaram a comunidade científica em um momento crucial. Entretanto, eram apenas trocas de mensagens entre universitários. Com as comunicações do departamento de Estado, entramos em uma nova dimensão do furto virtual. Piratear a Siprnet, rede privada da diplomacia estadunidense, e mostrar que até mesmo os EUA não podem garantir a confidencialidade de suas comunicações, é, sem dúvida, o roubo do século...
Após sua primeira jogada de mestre – a publicação de documentos sobre o banco islandês Kaupthing Bank –, a organização do jornalista australiano Julian Assange reiterou sua façanha ao publicar o vídeo de um "incidente" das forças estadunidenses no Iraque e depois os relatórios sobre o Afeganistão. Nesses dois últimos casos, trata-se de uma publicação em massa de observações de campo que ilustram  o dia-a-dia dessas guerras. Desta vez, a Wikileaks parece ter mudado sua estratégia de publicação.Frustrado por uma repercussão da mídia que se limitava muitas vezes a falar do funcionamento do site em si ou da personalidade controversa de seu líder carismático, Assange desejava controlar o ritmo de revelação de seus documentos e associou-se a jornais prontos para trabalhar sobre cada um deles, soltando-os a conta gotas: "As comunicações das embaixadas serão divulgadas por etapas no decorrer dos próximos meses.Os teores desses telegramas são de tal importância e sua cobertura geográfica de tal extensão, que proceder de outra maneira não faria justiça a esses documentos.”
Nos primeiros dias, os cinco jornais associados à Wilileaks tiveram acesso a textos que mostravam o quanto os dirigentes de vários países árabes podiam se mostrar críticos em relação ao Irã, empregando em suas discussões com os diplomatas estadunidenses um vocabulário e argumentos completamente diferentes dos usados com seus povos. Os telegramas diplomáticos também revelaram as ordens dadas por Hillary Clinton a sua equipe de diplomacia para que fossem espionados executivos da Organização das Nações Unidas, anotando suas impressões biométricas, “nomes, títulos e outras informações contidas nos cartões de visita; números de telefone fixos, celulares, de pagers e de fax; contatos telefônicos e listas de e-mails; senhas de internet e intranet; números de cartões de crédito; números de cartões de fidelidade de companhias aéreas; horários de trabalho”. A imprensa se divertiu ao ver como os funcionários estadunidenses qualificavam os dirigentes europeus, fossem eles russos ou líbios.
Mas é muito cedo para fazer um balanço daquilo que poderá se tornar uma novela inédita e longa – ainda mais porque Assange prometeu atacar também o setor das empresas privadas, com revelações sobre um “grande banco estadunidense”.
Para ilustrar o potencial desses documentos, o Le Monde Diplomatique debruçou-se sobre um deles, que traz uma luz complementar para a atualidade recente.Trata-se do telegrama “Tegucigalpa 000645” que se refere a Honduras. Nele se vê que, caso o departamento de Estado, de fato, tenha permitido que o governo do presidente Manuel Zelaya caísse em 28 de junho de 2009, seu embaixador em Honduras, Hugo Llorens, foi categórico em classificar o que ocorrera como um golpe de Estado.
No dia 24 de julho de 2009, aproximadamente um mês depois dos acontecimentos, Llorens enviou um telegrama para vários interlocutores, entre os quais Thomas Shannon, o atual embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que ocupava na época o cargo de secretário de Estado adjunto nos assuntos do continente americano que escreveu: “A análise da embaixada é indiscutível. No dia 28 de junho as forças armadas, a Corte Suprema e o Congresso conspiraram no âmbito do que constitui um golpe de Estado ilegal e anticonstitucional contra o poder executivo (mesmo reconhecendo que, a primeira vista, pudessem existir elementos indicando que Zelaya se colocou na ilegalidade e violou a Constituição).Também não há duvidas que a tomada de poder por Roberto Micheletti [presidente de fato a partir de 28 de junho de 2009] tenha sido ilegítima.”
O diplomata listou “os argumentos, muitas vezes ambíguos” dos golpistas para justificar a legalidade de sua manobra: “Zelaya se colocou fora da lei (uma suposição que nunca se sustentou); Zelaya pediu demissão (uma invenção); Zelaya tinha a intenção de prolongar a duração de seu mandato (uma simples conjectura)”. Llorens concluiu: “Pensamos que nenhum desses argumentos tem o mínimo valor segundo a constituição hondurenha. Alguns são simplesmente falsos. Outros se baseiam sobre suposições ou racionalizações a posteriori de uma ação manifestamente ilegal”.
Observando que “são muitos os oficiais hondurenhos, inclusive presidentes, desde o primeiro governo eleito sob a constituição de 1982, que propuseram autorizar a reeleição de um presidente no fim do seu mandato” e que “nunca se achou necessário destituí-los de seu posto para tal”, o diplomata estadunidense resumiu: “Os acontecimentos de 28 de junho somente podem ser considerados como um golpe de Estado do poder legislativo – com o apoio do poder judiciário e das Forças Armadas - contra o poder executivo.”
Contudo, a administração americana contentou-se em suspender o pagamento de uma fração mínima do auxílio que destinava ao país (de um montante de US$ 31 milhões).Hillary Clinton, próxima do lobista Lanny Davis – que rapidamente se colocou à serviço dos putchistas hondurenhos –, anunciou a retomada do financiamento no dia 4 de março de 2010. No mesmo dia, ela convidava a Organização dos Estados Americanos (OEA) a reconhecer o governo de Pofirio Lobo, vencedor, em 29 de novembro de 2009, de um escrutínio ilegítimo (uma vez que organizado por um governo ilegítimo), e empossado desde o dia 27 de janeiro de 2010. Por outro lado, Hillary o cumprimentava por ter “restaurado a democracia” em Honduras.
Desde a chegada de Lobo ao poder, diversos advogados foram sequestrados ou intimidados. Nove jornalistas, assim como várias dezenas de camponeses e militantes políticos foram assassinados.

(*) Extraído de Le Monde Diplomatique Brasil - http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=2957